▸ Notícias e Mercado Publicado · jun 2026 2 min de leitura

Jurisprudência recente do STJ sobre leilão extrajudicial: o que mudou

Decisões recentes do STJ vêm temperando interpretações da Lei 9.514/97. Resumo prático dos pontos que mudaram a estratégia de defesa em leilão extrajudicial.

Hudson Costa OAB/SP 458.062

A Lei 9.514/97 disciplina a alienação fiduciária e o leilão extrajudicial — caminho preferido das instituições financeiras na execução de garantia imobiliária. A jurisprudência do STJ vem refinando interpretações importantes nos últimos anos. Aqui está o quadro atual.

Purgação da mora: o ponto de virada

Por muito tempo, instituições financeiras sustentaram que a purgação da mora (pagamento das parcelas vencidas) só seria possível antes da consolidação da propriedade. O STJ pacificou, em diversos julgados, entendimento mais favorável ao devedor: a purgação é possível até a assinatura do auto de arrematação no segundo leilão, observada a função social do contrato.

Na prática, isso significa que mesmo após a notificação extrajudicial e consolidação da propriedade em nome do credor, o devedor que regularizar a dívida antes do auto recupera o imóvel.

Valor mínimo do segundo leilão

Outro ponto de pacificação importante: no segundo leilão extrajudicial, o valor mínimo é o saldo devedor acrescido de encargos e despesas (art. 27, §2º da Lei 9.514/97). Em caso de não atingimento, a dívida é considerada extinta e o credor consolida a propriedade — mas sem direito a cobrar diferença do devedor.

Esse ponto é frequentemente invocado em defesa de devedores quando a instituição busca cobrar saldo remanescente após leilão deserto.

Notificação extrajudicial: rigor formal

O STJ tem reiterado que a notificação extrajudicial do devedor é requisito de validade do procedimento. Falhas comuns que geram nulidade:

  • Notificação em endereço desatualizado, sem tentativa de localização do devedor.
  • Ausência de prazo de 15 dias para purgação (art. 26 da Lei 9.514/97).
  • Notificação por edital sem esgotamento das tentativas pessoais.

Em qualquer desses cenários, a defesa do devedor tem fundamento robusto para questionar o leilão.

Impacto prático

Para o devedor: as janelas de defesa são maiores do que parecem. Mesmo após a notificação, há tempo de articular regularização. A linha de defesa precisa ser técnica e rápida — não emocional.

Para o arrematante: aumentou o risco de aquisições em leilão extrajudicial serem contestadas se o procedimento não foi rigorosamente formal. Análise prévia da regularidade da notificação é hoje parte do checklist técnico mínimo.

Conclusão

O STJ vem fortalecendo a proteção do devedor em leilão extrajudicial sem inviabilizar o instrumento. Procedimento rigoroso continua válido; procedimento descuidado é cada vez mais anulável. Para qualquer das partes, conhecimento técnico atualizado é o que separa estratégia de improviso.

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Hudson Costa

Advogado · OAB/SP 458.062 · Especialista em Leilão de Imóveis

Advogado com trajetória no setor imobiliário, com destaque em negócios relacionados a leilões judiciais. Pós-graduando em Direito Imobiliário pela EBRADI, MBA pela FGV e certificado como Conciliador, Mediador e Árbitro pela FGV.

Atua no desenvolvimento e liderança de projetos no ecossistema dos leilões judiciais.